Premiados do Concurso de Ilustração (Pré e 1.º ciclo)
Convite para cerimónia de entrega de prémios
Concurso Literário’19 – VENCEDORES
Vencedores do Concurso Ilustração Álvaro Feijó’19
Museu de Geologia vai à Biblioteca – Semana 15
Esta semana a Biblioteca expões uma amostra de xisto mosqueado.
Rochas metamórficas são rochas que resultam da transformação da rocha original, o protólito. Este dá origem a uma rocha metamórfica depois de sofrer transformações químicas e físicas devido ao fato de se submeter a temperaturas e pressões elevadas e à atuação de fluidos sofre erosão (metassomatose)[ em zonas profundas da crosta terrestre, sem que, contudo, cheguem a fundir (a não ser, talvez, parcialmente).
Alguns exemplos de rochas metamórficas são o gnaisse, a ardósia,o mármore, o xisto mosqueado, e o quartzito.
Continuação do conto “O quarto de Brooklyn” (IV)
Continuação do conto “O quarto de Brooklyn” – No D’Amici

Depois de sessão de pose com Mr Edward Hopper, a última, recebi o dollar que me deixou sobre a mesa da cozinha. Decidi ir jantar à esquina leste, ao café frequentado pelos operários que trabalham na construção dos prédios. Homens cuja silhueta me causa uma mistura de dor e de carinho. Talvez seja meu desejo rever o mendigo. Se fosse na minha Irlanda longínqua, o mendigo seria um duende.
Na mala de mão meti a carta, a que recebi na estação de Sheepshead Bay e permaneceu no meu colo, todo o tempo em que, nas minhas costas, o pintor, continuava o seu trabalho. Ele despediu-se, dizendo que ia passear férias com a mulher, a Jo, como ele lhe chama, em South Truro, Massachusetts. Penso que é um pintor já lançado e com sucesso e não sei porque se interessa por mim ou pela minha casa. No café que fica no prédio de tijolos vermelhos, o D’Amici, pedi um prato de massa com azeite e alho, o mais barato e reconfortante que se come ali. A caneca de café sobre a mesa, aqueceu-me as mãos e consegui pegar na carta. Pedi uma faca para abrir o envelope, tal o medo que tinha de estragar o selo ou alguma linha de escrita.
Sim, a carta está redigida numa língua que não reconheço.
Consigo ver que está dirigida ao meu marido. Tenho de arranjar forma de traduzi-la.
Talvez que na St. Michael’s Church, o Reverendo Patrick Cherry, que fez o enterro do meu António, conheça algum padre português ou espanhol que possa ajudar.
Olho a carta uma e outra vez. Tem a data no fim, 1930. Saiu da Ilha há dois anos. Ou seja, saiu dos Azores no ano em que o António teve o acidente. Que voltas terá dado até chegar aqui! Tudo na minha vida tem sido inesperado, parece que alguma fada me deitou mau feitiço. Morrer o meu marido aos trinta anos, sem me deixar semente, sem sequer ter tido tempo de me fazer um filho. Morreu sem se despedir de mim. Dizem que a queda foi tão violenta que a morte o apanhou em vida, quer dizer, não sofreu. Pareceria um anjo?
Dois anos de casados, e tão bem nos conhecíamos. Se ele estivesse aqui comigo, beberíamos ambos o café, o dele com açúcar, mas não o meu. O António brincava comigo a dizer que eu era doce como o mel e não precisava de mais brandura. Falava pouco da ilha onde nasceu. Ensombrava-se-lhe o rosto magro de maxilares de pedra se qualquer referência à família surgia. Nunca lhe disse que durante as noites, por vezes, ele chorava, chorava como choram os vitelinhos recém nascidos da minha Irlanda natal. Chorava, e do choro entre cortado, algumas palavras eu ouvia. “Cinda” e “Mom”, eu conseguia distinguir.
Já corri com a ponta da unha todas as linhas desta carta. Reconheço as duas palavras East Providence, o que deve significar que quem escreveu sabe que lá morávamos antes. Talvez algum familiar do António tenha tentado juntar-se-lhe aqui? Terá escrito a perguntar se podia vir?
Ou então alguém da comunidade portuguesa terá dado notícia do falecimento do meu marido aos parentes dos Azores. E esses parentes podem ter-me escrito a mim. Volto a lembrar-me do mendigo que me chamou Miss Vaughan. Há qualquer coisa no brilho do olhar deste homem que mais parece vela acesa. E, sim, sei que o conheço. Não consigo lembrar ainda onde nos vimos. Mas o tempo vai trazê-lo de novo à minha memória.
Aqui o café está a esvaziar-se, as pessoas regressam a casa, onde as espera a família. Sinto-me desassossegada, febril. Peço outra caneca de café, para poder refletir. Esta carta tanto pode trazer algo de bom, como notícia de desastre na família que ficou na Ilha.
O António disse que tinha duas irmãs. Quando partiu de lá tinha 20 anos. Viveu aqui outros tantos. Até os pais podiam ser ainda vivos. Teriam agora entre os cinquenta e os sessenta. Mas pessoas pobres com trabalho duro envelhecem cedo e cedo se finam.
Quando o conheci ele era homem feito, alto, esguio, com traços tão marcados e duros que parecia basalto esculpido. Mas era flexível como um vime. Capaz de trepar a sítios altos e sentar-se nos andaimes, lá em cima, a comer a merenda, sem medo. Se o acidente se deu foi porque uma forte rajada de vento fez baloiçar a trave presa por cabos metálicos, igualzinha à da fotografia tirada por Mr Charles C. Ebbets durante a construção do edifício, e publicada no New York Herald Tribune em outubro passado. Até parece que os nova yorkinos só se aperceberam do perigo em que os operários se encontram lá no alto, depois do jornal ter chamado a atenção para isso. Guardei esse jornal e essa fotografia.
O coração de repente se me espanta a galope, a bater! A palma da minha mão vai-me ao peito, fico aturdida. Agora sei onde conheci o mendigo.
Ele era um dos operários que estava na viga. Foi entrevistado pelo jornal. Português como o António, conheci-o antes mesmo de encontrar o meu marido. Foi ele quem me indicou o centro de apoio aos emigrantes pobres, lá no sul de Brooklyn. O centro onde me ofereci para trabalhar como cozinheira enquanto esperava para arranjar um emprego. Foi graças a ele que dias depois vi entrar, no meio de um grupo onde sobressaía, o António, meu futuro marido. Até se podia dizer que, aquele que é agora um mendigo, foi o nosso padrinho de casamento. Ele sim, conheceu-me como Miss Vaughan. Nunca mais o tinha visto.
Preciso procurá-lo. Saber o que lhe aconteceu, nestes anos conturbados da grande crise, em que nos perdemos de vista. Ele sim, pode traduzir a carta!
Autora: Beatriz Lamas Oliveira
Beatriz Lamas Oliveira – nasceu em Braga e licenciou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina de Lisboa. Desenha, pinta e escreve desde a adolescência. O trabalho como médica nunca impediu outras atividades que lhe são essenciais para se sentir útil, viva e em estreita relação com a Natureza. O seu primeiro romance, “O Inseto Imperfeito”, foi publicado em 1999. Desde os anos 80 até à presente data fez várias exposições de pintura, usando diferentes técnicas e materiais.
Em outubro de 2014 esteve no nosso agrupamento a apresentar aos aluno do 3.º e 4.º ano do nosso Agrupamento o seu 1.º livro da coleção Vida Selvagem: “O mocho sábio”.
Em abril de 2016, visitou-nos para apresentar aos alunos do 8.º ano da Escola Secundária o seu 2.º livro da coleção Vida Selvagem: “O Clube das Efes”.
Em fevereiro de 2017, apresentou aos alunos do 3.º e 4.º anos da Escola Básica de Pias o seu 3.º livro da coleção Vida Selvagem: “A Raposa Sebastiana”.
Museu de Geologia vai à Biblioteca (semana 14) – Calcite
Esta semana o Museu de Geologia trouxe à nossa biblioteca da Escola Secundária uma amostra geológica de Calcite.
A Calcite, é um mineral com composição química CaCO3, com clivagem perfeita e romboédrica. Cristaliza em uma grande variedade de formas. É fonte de cálcio e cal, sendo importante também como pedra decorativa (mármore-ônix) e em instrumentos óticos (quando límpida e incolor). É o principal constituinte dos calcários e mármores, ocorrendo também em conchas, bem como cimento em rochas sedimentares e em carbonatos. Tem o cálcio como principal elemento formador.
Continuação do conto “O Mendigo Português” (III)
Continuação do conto “O quarto de Brooklyn” – O MENDIGO PORTUGUÊS

O meu nome é Manuel das Flores. Nasci na Fajãzinha.
Não conheci nem pai, nem mãe. Madrinha, Nossa Senhora dos Remédios. Pagou os meus poucos estudos o Pároco de Mosteiro, Pe José Baldaya. Também me pagou a passagem no barco a vapor, que os de vela eram caixões que o mar fretava à miséria dos Açores. Deu-me o enxoval para eu poder partir. Disse-me que todo essa despesa era um legado que tinha recebido anos antes de um americano do Faial,Samuel W. Dabney. Essa quantia destinava-se a ser empregue a melhorar a vida de quem o merecesse. O Pe Baldaya decidira que essa vida era a minha.
Corria o ano de 1918 quando partimos. Vim toda a tormentosa viagem sem medo. Um companheiro mais velho disse-me que as linhas de ferro sobre as quais o barco atravessava o oceano corriam debaixo de água, as rodas deste assentavam sobre carris, como as dos comboios e, por isso, o barco nunca perdia o rumo. O barco era o Bona Fide. Confiante nesta segurança, nunca desesperei,nem nos momentos das vagas mais bravias, como aconteceu a muitos dos meus irmãos de aventura.
Partir era preciso, pois na Ilha a maior dádiva era a fome.
À chegada, Ellis Island, com Manhattan ali tão perto, era uma enorme confusão de gentes de todos os credos e raças, uma babilónia onde nós, os que tínhamos viajado em terceira, tínhamos medo de não recebermos a autorização para ficar na terra do mel e dos figos. Viemos, pois, na aventurosa viagem, António Mendes e eu. Ambos da mesma ilha, ambos afilhados do carinho do Pe Baldaya. Ambos tímidos, cosidos dentro da roupa, mais se poderia dizer que ambos vivíamos embiocados sem termos ainda palavras para nos abrirmos. No barco a comida nem era má, ninguém nos tratava pior do que na Ilha, para além de umas piadas que as mais das vezes nem percebíamos. As piadas morriam ali dentro do gigantesco mar que olhávamos com respeito, quando vínhamos cá acima, espreitar a noite e respirar o ar salgado.
As autoridades deram-nos entrada. O torvelinho, a confusão, o medo e a alegria eram uma tal mistura, que abraçados um ao outro nem sabíamos se ríamos se chorávamos. Fomos buscar as malas onde tínhamos os nossos pertences. Alugamos uma carroça puxada por uma mula e confiamos na sorte. Ao carroceiro mostramos a bandeira de Portugal. Alguém nos tinha dito que, habituados a estas lides, os carroceiros sabiam onde levar os recém-chegados aos locais onde sabiam haver nativos do mesmo país. Foi assim que chegamos a Sheepshead Bay. Aí vi pela primeira vez a mulher da minha vida. Alta, magra, loura como eu nunca mulher alguma tinha visto. Os olhos azuis, uma porcelana riquíssima.
Vi-a de relance. Ela atravessava a rua. As obras e um sem fim de entraves obrigavam-na a manter a atenção no chão que pisava. Com uma mãe segurava a saia do vestido, cuidando de não sujar a bainha. Depois, encontramos os primeiros conterrâneos. Ajudaram-nos. Um quarto pobre. Comida. Começamos a procurar trabalho. Éramos ambos novos, magros, mas fortes, entramos na construção dos prédios, altos e escuros como as penedias da nossa ilha. Uma manhã, vinha eu do médico onde fora fazer um curativo a um dedo ferido, entrei no Automat para beber um café e comer um pão. Sentada no balcão, estava a mesma belíssima e intimidante mulher que vislumbrara em Sheepshead Bay. Paralisaram-se-me o gesto e a voz. Já nem sabia como pedir a bebida. Comecei a sonhar que poderia vir a ser minha esposa.
Naturalmente, ela voltou-se para mim e sorriu discretamente.
_ Claire, Claire Vaughan. I am irish.
Eu já conseguia articular algumas palavras inglesas. Respondi:
_Manuel. I am from Açores.
_ So we both are islanders_sorriu ela.
Encabulado, feliz, encantado, eu.
Foi quando começamos a conversar fazendo eu esforços para tudo entender. Ela estava à procura de trabalho. Consegui fazer-lhe perceber que precisavam de cozinheira num albergue de apoio aos emigrantes. Obra criada por irmãs irlandesas vindas de uma cidade chamada Dublin. Dei-lhe a morada, escrita num guardanapo de papel. Contei que estava a viver com um amigo. Ela disse-me:
_ Vou lá amanhã mesmo. Venha lá procurar-me. Pode ser que o trabalho seja para mim!E quanto ao seu amigo, traga-o consigo.
À noite contei ao António o meu encontro com Claire Vaughan. Sentia-me entusiasmado, feliz como nunca me sentira em toda a minha vida. Ao António eu não falei dos meus sentimentos por esta mulher. Não que tivesse medo que ele risse de mim, mas porque a minha timidez de homem que nunca cortejara mulher nenhuma, me fazia apertar o coração de angústia. E nesse fim de semana lá fomos os dois à cantina das Sisters of St. Claire. Entramos e a maravilhosa irlandesa estava a enxugar as mãos ao comprido avental e olhava em volta com ar atento e solícito. As mesas estavam postas e muito limpas. Ela levantou a cabeça na nossa direção, como que atraída pelas nossas silhuetas. O António parou. Parecia aturdido. Murmurou para mim palavras indistintas e já ela se aproximava de nós.
_Este é o seu amigo? Bem vindo!
Vi-os olharem-se. Vi, num só relance, que aquela mulher vulcânica estava a prender-se tempestuosa e serenamente nas vagas da vida do meu amigo. Quando eles foram viver juntos, afastei-me. Uma coisa era vê-los felizes. Outra era o sofrimento dentro de mim.
Autora: Beatriz Lamas Oliveira
Beatriz Lamas Oliveira – nasceu em Braga e licenciou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina de Lisboa. Desenha, pinta e escreve desde a adolescência. O trabalho como médica nunca impediu outras atividades que lhe são essenciais para se sentir útil, viva e em estreita relação com a Natureza. O seu primeiro romance, “O Inseto Imperfeito”, foi publicado em 1999. Desde os anos 80 até à presente data fez várias exposições de pintura, usando diferentes técnicas e materiais.
Em outubro de 2014 esteve no nosso agrupamento a apresentar aos aluno do 3.º e 4.º ano do nosso Agrupamento o seu 1.º livro da coleção Vida Selvagem: “O mocho sábio”.
Em abril de 2016, visitou-nos para apresentar aos alunos do 8.º ano da Escola Secundária o seu 2.º livro da coleção Vida Selvagem: “O Clube das Efes”.
Em fevereiro de 2017, apresentou aos alunos do 3.º e 4.º anos da Escola Básica de Pias o seu 3.º livro da coleção Vida Selvagem: “A Raposa Sebastiana”.
Continuação do conto “O quarto de Brooklyn” (II)
Continuação do conto “O quarto de Brooklyn” – A CARTA
“ Sr António Mendes,
Vai perdoar-me o atrevimento, mas aventuro-me a escrever-lhe para lhe dar notícias da sua família. Foi através do consulado que consegui esta sua morada numa tal de East Providence onde parece que o senhor mora ou morou antes. Não sei o que significa “east” mas “providence” só pode ser a divina providência, ou seja, é mesmo um dedo apontado ao futuro.
Aqui nos Açores, terra dos seus pais e avós, somos muito crentes. Espero que o senhor mantenha as suas obrigações religiosas em dia. Eu sou o Padre Baldaya, da freguesia de Mosteiro, ilha das Flores. Não se lembrará de mim!Freguesia, pobrinha mas arranjadinha, onde casei os seus pais, Manuel e Maria Mendes. O senhor António, o amaricano a quem esta carta vai dirigida, foi o terceiro filho do casal que abençoei. Ainda me lembro do dia em que a sua mãe se me veio chorar a sua ida para as Américas. Aqui não havia futuro, e os seus pais não lhe quiseram cortar os sonhos. Deixaram-no ir, mas o seu lugar vazio, nunca foi ocupado. Nem a sua irmã mais velha, a Gracinda que Deus tenha, nem a mais nova que lhe jaz ao lado aqui no cemitério, conseguiram, com as mortes prematuras, aquecer a velhice dos seus pais. A Gracinda empreendeu muito na sua ausência, deixe-me que lhe diga!
Aqui no portinho ficaram sempre os mesmos três barcos, agarrados à areia como gavinhas. Os seus velhotes continuaram a cultivar os três palmos de terra que a sua mãe recebeu de herança. O inhame, o feijão, os agriões de água para os quais a sua mãe tinha mãos de fada, um porquinho no curral,assim iam alimentando a família. Do lado do seu avô materno, por alcunha o Vime, donde se deduz que era cesteiro, o seu pai recebeu um moinho de água já muito arruinado e que logo esbarrondou mesmo de todo, com a ressalga do mar. Ficaram-nos as águas, que essas abundam aqui, de tal modo, Deus me perdoe, que às vezes penso que as nossas ribeiras nasceram de alguma pesada lágrima da Santíssima Trindade, que como sabe, muito veneramos.
Estou velho, António, creio que posso chamar-te assim, que ainda te fiz na testa a cruz do crisma. E esta carta porque ta escrevo? Porque mo pediu a tua mãe que também já não está no mundo dos vivos. Ela pediu-me para ver se as autoridades nos mandavam alguma notícia de ti, porque tinha tido um sonho e queria-lhe parecer que tu havias de gostar de o ouvir. Queria mandar-te carta.
Muitas voltas dá a vida e tudo demora o tempo de uma tormenta. Prometi-lho. Aqui vai o sonho:
Há na nossa ilha umas rochas de pedra negra que se elevam do mar. Parecem uns cabeços e por esse nome são conhecidos. A cada um dos penhascos, o seu nome de batismo.
No sonho da tua mãe, Maria Mendes, uma noite, a terra estremecia com grande uivo vindo das profundezas. E ao acalmar o tremor, um cabeço novo, em forma de cruz surgia no horizonte. Nesse cabeço nascia um arco íris. E formava aquela coroa lindíssima e, no sonho, a tua mãe conseguia ver um outro lado do mar. E nesse outro lado, que se foi desvanecendo muito rápido, ela conseguiu vislumbrar, ainda, uma pequena fada que fugia, rindo, como só criança marota faria.
Maria Mendes pensou, na sua singeleza, que a pequena fada seria a tua futura mulher e que com ela serias feliz.
Nunca mais a ouvi queixar-se, nem das dores nas mãos que a afligiam, nem da falta do teu pai, que um dia saiu para o mar e não voltou, nem deixou rasto. Silencioso como tinha sido toda a vida, o Manuel Mendes deixou um grande vazio. Mas a tua mãe queria que soubesses que, ela aqui ,estava bem. E feliz de saber que tinhas encontrado a mulher que Deus te destinou.
Talvez uma mulher vinda de um país de antigas rainhas, onde as princesas eram mendigas disfarçadas que traziam, no regaço, tempos felizes.”
José Baldaya, Pároco de Mosteiro
Ilha das Flores, Açores
Março de 1930
Autora: Beatriz Lamas Oliveira
Beatriz Lamas Oliveira – nasceu em Braga e licenciou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina de Lisboa. Desenha, pinta e escreve desde a adolescência. O trabalho como médica nunca impediu outras atividades que lhe são essenciais para se sentir útil, viva e em estreita relação com a Natureza. O seu primeiro romance, “O Inseto Imperfeito”, foi publicado em 1999. Desde os anos 80 até à presente data fez várias exposições de pintura, usando diferentes técnicas e materiais.
Em outubro de 2014 esteve no nosso agrupamento a apresentar aos aluno do 3.º e 4.º ano do nosso Agrupamento o seu 1.º livro da coleção Vida Selvagem: “O mocho sábio”.
Em abril de 2016, visitou-nos para apresentar aos alunos do 8.º ano da Escola Secundária o seu 2.º livro da coleção Vida Selvagem: “O Clube das Efes”.
Em fevereiro de 2017, apresentou aos alunos do 3.º e 4.º anos da Escola Básica de Pias o seu 3.º livro da coleção Vida Selvagem: “A Raposa Sebastiana”.



